
"Uma recente pesquisa britânica revela que metade das garotas de 6
anos já estão infelizes por causa da aparência de seus corpos. Isso
acontece porque o que se vê no espelho não é aquilo que aparece nas
revistas, o importante detalhe, porém, é que o que se vê nas revistas é
mentira. Não aguentamos mais a censura dos nossos corpos, o uso de
ferramentas tecnológicas para anular aquelas de nós que aparecem nas
revistas e alienar aquelas de nós que leem essas mesmas revistas.
Celulites, banhas e estrias não devem ser motivo de vergonha. Há várias
formas de violência. A violência simbólica nos golpeia todos os dias;
nos joga na cara diariamente que não temos um corpo à altura. À altura
do que? À altura de quem? Nossos corpos permitem toda forma de contato
que temos com o mundo - do nosso gozo a nossa dor - e nunca permitiremos
que sejam objetos moldados pelo patriarcado. Que nada nos submeta, que
nada nos defina! Que nenhuma mulher mais morra em mesas de cirurgia
estética; que nenhuma menina mais volte chorando pra casa porque antes
mesmo de poder formar uma identidade já foi "avisada" de que o que
importa é aparência; que cessem as mortes por bulimia e por anorexia;
que possamos usar a roupa que quisermos sem virarmos piada de programa
de TV escroto; que andemos nas ruas a hora que quisermos, vestidas como
quisermos, sem o risco de sofrer qualquer forma de violência. É
dissimulado quem não vê que o machismo grita e mata.
Que a sociedade que
nos chama de feia é a mesma que nos estupra! Não mais. Sem doçura ou
resignação."